
Quando eu achei que eu já tivesse perdido quase tudo, eis que eu recebo a pior notícia da minha vida. No meu momento mais particular, de uma espécie de inconformação conformada, eu penso que a vida serve para isso. Para nos dar porradas. A minha já me deu bastante. Mas, então, eu penso que tem gente com a vida muito mais fácil que a minha, assim como tem gente com a vida bem pior do que a minha.
Mas como ninguém sente o que o próximo sente, eu tenho todo o direito de me sentir a pessoa mais solitária do universo. Até exagerando um pouco. Mas é assim que eu me sinto. A morte é um exagero.
Eu nunca tive tempo de me despedir. Num dia eu estava te tocando e te abraçando, e falando a famosa frase "Quando a gente se vê?", e, no outro... o mais próximo que eu pude chegar de você, foi olhando para um retrato. Isso é um exagero. O exagero do mau gosto. O que me dói mais é pensar que é pra sempre. Vou ter que conviver com este exagero, até o último dia da minha vida.
Às vezes, eu me pergunto: Somos realmente feitos para aprendermos a dizer adeus o tempo todo? E a resposta é a mais simples possível: sim. E não tem jeito. Nós sempre vivemos entre duas perdas diferentes. E é, exatamente, entre essas perdas que devemos tentar sermos os melhores possíveis. Tanto conosco, quanto para com os outros. Porque, acredite, alguém querido vai morrer, em alguma hora. Porque é isso que as pessoas fazem. Elas morrem.
É difícil acreditar que a morte anda de mãos dadas conosco. Nós nunca, realmente, paramos para pensar que esta pode ser (como pode não ser) a última vez que abraçamos alguém. Mais ainda, não paramos para pensar que nós somos muito frágeis e que, a qualquer momento, quem vai morrer é a gente. E quem lembra da gente, é quem fica vivo.
Quando eu sofro uma grande perda ou passo por um momento de tristeza muito grande, a minha primeira reação é chorar até não ter mais forças. Fico deprimida. E, depois, é como se, automaticamente, eu entrasse num estado de torpor. Eu simplesmente viro uma pessoa meio alienada. E vou vivendo assim, tentando me alienar o máximo possível de tudo aquilo que me incomoda. E então, eu caio na real. Eu choro. E volto a entrar no meu estado de torpor. E, assim, segue. Meu estado de torpor pode durar cerca de meses. Como um verdadeiro animal que quer poupar energia, mesmo. Fazia meses que eu não chorava pela Marcela. E, outro dia, eu caí na real de novo e consegui. Agora, voltei pro meu estado de torpor. Não gosto disso, mas é o único modo de eu não remoer sempre tudo aquilo que me incomoda.

Porque é isso que as pessoas fazem. Elas morrem.
ResponderExcluirÉ a pura realidade, e é um saco.
Perder pessoas eh a pior das dores que a vida impoe para nos. Quando perdi meu avo sofri muito, exatamente assim como vc diz, mas meu avo tinha 84 anos, por mais que eu sentisse essa falta eu sabia que ele merecia descansar, agora no caso da Marcela eh uma morte injusta, parece que justica divina fica mais dificil de acreditar a cada dia que passa.
ResponderExcluirQuanto ao que voce descreveu: "E, depois, é como se, automaticamente, eu entrasse num estado de torpor. Eu simplesmente viro uma pessoa meio alienada. E vou vivendo assim, tentando me alienar o máximo possível de tudo aquilo que me incomoda."
Sim, eh exatamente o que acontece comigo...
"Alguem tem que morrer para que os outros valorizem a sua vida" eh a teoria do livro e filme "As Horas". Eu penso que realmente, quando alguem morre a gente percebe que precisa dar mais atencao a todos aqueles que REALMENTE a merecem...
Felizmente, apesar de varias perdas na minha vida de pessoas que entram e saem da minha vida das formas mais bizarras, eu tenho alguem que permanece sempre fiel a mim, e melhor, da maneira que sente que precisa ser. Vc eh um grande presente na minha vida...de verdade, eu sei que qualquer coisa eu posso contar com a sua amizade, Ju. Eu tenho muito medo de te perder, pq tenho pavor de passar pelo que vc passa. Soh quero que saiba que nao tenho palavras a serem ditas para vc, eu ja disse tudo, eu realmente ja consegui expressar todo meu afeto e minha amizade por vc.
Espero envelhecer fazendo trico com vc.
Te amo! Saiba que quando quiser pode me chamar!
Beijos
:*
p.s. to no lap top da minha mae q nao tem acentos :S